Há milénios que os ricos depósitos calcários da área de Sintra são explorados, estando este aproveitamento comprovado para o período romano por múltiplos vestígios arqueológicos. Desde essa época, até ao início da mecanização, que na indústria da pedra da região é muito tardia , datando de meados do século XX, que as pedreiras foram exploradas por processos rudimentares e arcaicos.
Após selecionada, por métodos empíricos, a área de exploração onde se poderia encontrar a matéria-prima, procedia-se com enxadas à remoção das terras superficiais até se encontrar um primeiro aglomerado rochoso designado por samouco (frequentemente era aproveitado para servir de brita ou de cal). Após se encontrarem sob o samouco os bancos de lioz, passava-se à difícil extração dos blocos de rocha.
A extração era efetuada pelos cabouqueiros (designação atribuída aos homens das pedreiras), com instrumentos simples por métodos milenares. Os blocos eram arrancados com ajuda de vários instrumentos como as marretas, para bater, e os pistolos, raiadeiras e guilhos para perfurar. Abriam-se na rocha sulcos em que eram introduzidas cunhas de ferro, ou de aço, que iam sendo substituídas por outras maiores até se desagregar o bloco. Outro método ainda mais antigo, que já era utilizado pelos egípcios na remoção de blocos para construção ou de obeliscos, era a utilização de cunhas de madeira. Após introduzidas na rocha, as cunhas eram molhadas e inchavam, fazendo soltar os blocos da pedra-mãe.

Marretas, guilhos e outros instrumentos
Após a remoção do bloco, este era içado à base da força humana, com a ajuda de alavancas ou de macacos. Seguidamente a pedra era deslocada para a área de desbaste, inicialmente com rolos de madeira, mais tarde com o recurso a esferas de ferro.
Na área de desbaste procedia-se com camartelos e picões à regularização do bloco. Uma vez aparelhados, os blocos eram levados em zorras puxadas por juntas de bois até às oficinas dos canteiros.

Transporte dos blocos para as oficinas de cantaria
Em geral as oficinas de canteiro eram instalações improvisadas nas proximidades das pedreiras. Nessas oficinas, que frequentemente não passavam de um telheiro, os canteiros, recorriam nos seus trabalhos a uma ampla gama de instrumentos, entre outros:macetas, ponteiros, escopros (lisos ou dentados), cinzéis, bojardas, marretas, camartelos, guilhos e compassos. Davam assim forma a ombreiras, poiais, lintéis, parapeitos, degraus e muitas outras peças de cantaria destinadas à construção civil. Outros canteiros mais especializados, os operários-artistas, dedicavam-se à estatuária e à criação de motivos decorativos em alto e baixo-relevo. As peças eram elaboradas a partir de modelos em barro ou gesso, muitas vezes concebidos pelos próprios canteiros. Para a transferência da forma do modelo para a peça final eram marcados pontos de referência que eram transferidos com o auxílio de vários instrumentos, como compassos, réguas, esquadros e cruzetas .

Transferência da forma do modelo para a peça com utilização de cruzeta
A partir da década de 1940 iniciou-se a mecanização da indústria que teve um enorme impacto na atividade extrativa. O duro trabalho braçal de retirada dos blocos foi substituído pela utilização de martelos pneumáticos, perfuradoras rotativas e, sobretudo, pelo fio helicoidal acionado por motores a diesel. Este último método, que consiste em fazer circular em roldanas um filamento de aço que arrasta na água de arrefecimento um material abrasivo, passou a permitir o corte de blocos de enormes dimensões. Refira-se que, por mais cuidados que houvesse, os fios partiam-se frequentemente tendo de ser substituídos.

Sistema de corte por fio helicoidal- década de 1940
Atualmente a extração é efetuada com o recurso a sondas perfuradoras e aparelhos de corte a fio diamantado acionados eletricamente. Refiram-se ainda os progressos no transporte da rocha, com o aparecimento de camiões com tratores de grande potência, enormes caixas de carga e atrelados. Para a deslocação da pedra dentro das empresas, estas passaram a dispor de enormes pórticos e guindastes.
No corte da pedra usam-se hoje grandes engenhos monolâmina ou multilâminas, que possibilitam o desdobramento dos blocos em lajes de todas as espessuras.

Engenho de corte multilâminas
Estes novos métodos de aparelhamento e serragem permitem hoje um muito melhor aproveitamento da pedra e uma muito maior rapidez em todo o processo de produção. Com a nova maquinaria de corte passaram-se a obter peças de todas as dimensões, desde de pequenos ladrilhos a gigantescas colunas. Nas últimas fases de transformação usam-se hoje máquinas de corte e polimento cada vez mais sofisticadas, das quais se destacam as de Controle Numérico Computadorizado, (sigla CNC, do inglês Computer Numeric Control), que a partir e uma prévia programação e com o recurso a tecnologia laser, permitem elaborar todo o tipo de peças. O corte a laser passou também a permitir trabalhos artísticos de grande precisão e detalhe.

Computador de programação CNC