Há milhares de anos que a pedra é explorada no nosso país, como aliás em grande parte do mundo. A rocha tem sido utilizada para as mais diversas finalidades, desde o fabrico de instrumentos, que valeu ao primeiro e longuíssimo período da História do Homem o epíteto de Idade da Pedra, passando pelas majestosas edificações religiosas da Idade Média, até às grandes obras de engenharia e arquitetura do presente.
Pela sua disponibilidade, mas também pela sua grande beleza, durabilidade e facilidade de conservação, a rocha foi sempre o material construtivo preferencial no nosso território.
Testemunhando o valor da pedra para os nossos antepassados, encontramos no nosso país, monumentos megalíticos, pontes, calçadas e variados edifícios romanos, castelos medievos, palácios, catedrais e imponentes mosteiros comos os de Alcobaça, Batalha e Jerónimos e o megalómano convento de Mafra. A uma escala menor, temos os exemplos de utilização da pedra em estatuária, desde a época romana até aos dias de hoje. Assim, no nosso território, canteiros, escultores, engenheiros e arquitetos foram adquirindo e acumulando ao longo dos tempos um crescente domínio da tecnologia da pedra.

Ponte de Trajano – Chaves

Mosteiro dos Jerónimos- Lisboa
A grande variedade de tipos de rochas que, de norte a sul, abundam em território nacional — mármores, granitos, calcários, brechas, xistos, entre outras — fez delas, e faz ainda hoje, a matéria-prima por excelência para a construção, inversamente ao que ocorre em alguns países do norte da europa e nos Estados Unidos em que a madeira é tradicionalmente o material construtivo preferencial.

Brecha da Arrábida

Chão em mármore e calcário negro de Mem Martins
Palácio da Ajuda
Atualmente, dadas as possibilidades criadas pela existência de um mercado global, e a sua qualidade e beleza, as rochas portuguesas são exportadas para todo o mundo.

Pedreira de mármore em Estremoz
Presentemente Portugal é o sétimo maior produtor mundial de pedra natural, com exportações de 488 milhões de euros em 2023. Neste ano o setor gerou um volume de negócios de 1,2 mil milhões de euros e criou cerca de 14.000 empregos, destacando-se como uma contribuição significativa para a economia nacional. As exportações, que se destinaram principalmente à França, China e Espanha, representaram 0,6% do total dos produtos portugueses vendidos ao estrangeiro.
Refira-se ainda que cinco pedras naturais portuguesas foram recentemente reconhecidas como “Heritage Stones” pela União Internacional das Ciências Geológicas (IUGS): o calcário de Ançã, o mármore de Estremoz, a brecha da Arrábida, o granito do Porto e, destaque-se, o calcário Lioz, a pedra mais explorada na nossa região. Uma rocha recebe esta distinção pela IUGS quando “as been used in significant architecture and monuments, regognized as integral aspects of Human Culture” (quando foi usada em obras de arquitetura e monumentos notáveis, reconhecidos como parte integral da Cultura Humana).