Operador de máquina de corte na empresa Alfredo Vicente Julião e Filho
Entrevistadores: Alexandra Gomes e Fernando Matos, professores na Escola Rui Grácio
Qual a empresa a que está ou esteve ligado?
Trabalhei como estucador no início. Depois fui para a Siemens. Atualmente trabalho na Arneg onde já estou há vários anos, 27. É uma empresa de arcas frigoríficas.
Ainda havia/há pedreiras a laborar no seu tempo?
Há ainda em Pedra Furada, a Solancis, e provavelmente outras em Negrais, onde se extrai o liós amarelo e encarnado. Há também do Alexandrino Pais ao pé da base aérea e há a da Ferpliana, também junto à base aérea. Sim, e hoje em dia também se extrai basalto em Rebanque.
Mas há também muitas desativadas. A Câmara Municipal, ou o Ministério do Ambiente, ordenaram que todas as pedreiras fora de uso fossem entulhadas. Põe-se entulho e lodo. Os empresários vão lá despejar o entulho e a pedreira vai ficando tapada. No entanto, ainda há muitas cheias de água, o que é um perigo.
O Sr Urmal é a pessoa mais indicada para lhe falar da história da exploração da pedra aqui em Montelavar e das pedreiras.
Quais os tipos de rocha extraídos na região de Montelavar/Pero Pinheiro?
Há o lioz do Carrascal, o dos Penedinos, há o lioz avermelhado, que parece ter azeitonas, que é mais da zona de Lameiras, depois há um amarelo, tipo gema, da zona da base aérea.
Que tipos de rochas são aqui trabalhados?
O mármore de Estremoz, os granitos, os calcários da zona de Leiria e as Silstones. Aqui trabalham-se rochas oriundas de todos os cantos do mundo.
Quais os tipos de trabalhos de transformação a que a sua empresa se dedica?
Todo o tipo de trabalhos.
Para onde são vendidas e/ou exportadas as rochas já trabalhadas?
Para todo o mundo.
Que tipo de maquinaria é utilizada para o trabalho da pedra?
Hoje em dia tem havido uma grande evolução na maquinaria, em particular nas máquinas de corte. Antigamente a pedra era cortada manualmente, hoje são máquinas computorizadas que cortam sozinhas. Hoje essas chamadas máquinas de CNC conseguem trabalhar uma peça de escultura. Pode-se programar uma máquina dessas e ela ficar durante a noite a fazer uma pia ou um lavatório. Em Odrinhas uma empresa programou uma máquina para fazer uma estátua de Fernando Pessoa. Só tem é de se saber programar aquela máquina. Aquilo faz tudo nem é preciso lixa no fim. Vai dispensar muita mão de obra o que é bom e mau ao mesmo tempo.
Esta evolução tecnológica tem trazido mais segurança, até porque a máquina faz o trabalho sem você lá estar.
Qual a referência mais antiga que conhece em relação à indústria de extração e transformação da pedra aqui na região.
A minha referência é a Fábrica Pardal Monteiro, deve ser das primeiras aí por volta de 1930; a seguir terá sido a da Urmal.
Como tem sido a evolução económica da indústria da pedra nas últimas décadas?
Em 2008 houve várias fábricas a falir e muita empresa pequena, que trabalhava para as grandes, fechou. Quando a economia recuperou houve muitas empresas que não conseguiram dar o salto tecnológico. Hoje é a mesma coisa, quem não inovou, nem pensa em inovar, vai ficar para trás.
O trabalho da pedra é compensador em termos salariais?
Há oficinas em que sim, mas, em geral, não, daí haver muita falta de mão de obra e estar-se a recorrer a imigrantes do Nepal e de outros países. São pessoas sem formação e nem falam português, nem tentam. Há uns tempos eram brasileiros e ucranianos, e estes eram melhores trabalhadores, em particular os ucranianos.
Como são as condições de trabalho na empresa em que trabalha?
Muito pó, embora hoje já existam equipamentos de proteção muito bons, auriculares, manguitos e botas muito boas, hoje em dias feitas de Kevlar, que amortecem as pancadas e protegem os dedos. Os patrões são obrigados a fornecer estes equipamentos. As máscaras protegem do pó na parte dos acabamentos, na parte de corte não há esse problema, porque é usada água que o evita. Os mais antigos não adotaram essas proteções e continuam a ficar cheios de pós
Lembra-se de alguma história curiosa relacionada com o trabalho da pedra.
Não.