O Ciclo das Rochas e a sua classificação

As rochas, sendo formadas por minerais, são tendencialmente estáveis, pelo que permanecerão inalteradas se as condições que as formaram persistirem, ou seja, se nada acontecesse, um gnaisse (1) permaneceria um gnaisse para toda a eternidade. Porém, a atuação conjunta da Tectónica de Placas (2) e do Ciclo Hidrológico, provoca a lenta e contínua movimentação das rochas, fazendo com que, ao serem transportadas para novos locais, os minerais que as constituem ficam sujeitos a novas condições. Assim, ao longo da vastidão dos tempos geológicos, as rochas e os minerais vão-se transformando noutros que sejam estáveis nas novas condições. Estas transformações são incrementadas se existirem fluidos a circular, sejam eles a água que escorre e se infiltra nas fraturas, ou nos vazios das rochas superficiais, sejam eles os fluidos das profundidades da crosta.

Mas os processos próprios da Tectónica de Placas promovem outro tipo de modificações nos minerais, como, por exemplo, a variação do tamanho dos cristais (fundamental na transformação do calcário em mármore), ou mudanças na textura das rochas (que fazem com que um argilito se transforme, sucessivamente, numa ardósia, num filito e num xisto).

“Numa Terra dinâmica as rochas representam por isso sempre situações efémeras, pois resultam da transformação de rochas pré-existentes e inevitavelmente irão dar origem à formação de novas rochas, pelo menos enquanto o arrefecimento do nosso planeta não atingir valores que impeçam a Tectónica de Placas. Este ciclo de contínuas transformações é denominado Ciclo das Rochas, o qual só é possível devido à permanente atuação de um conjunto de processos. Meteorização, erosão, transporte, deposição e diagénese (3) são processos profundamente ligados ao ciclo hidrológico enquanto a recristalização e a fusão seguida de cristalização são fundamentalmente condicionados pelo ciclo tectónico”. (4)

O Ciclo das Rochas

As transições entre as diferentes fases do Ciclo das Rochas são graduais e constituem um contínuo. Porém, por uma questão de classificação, foi preciso convencionar a divisão artificial entre rochas designando-as por: magmáticas, metamórficas e sedimentares.

Rochas Magmáticas ou Ígneas:

Resultam da solidificação do magma (material rochoso, total ou parcialmente fundido). Se esta solidificação se der à superfície, origina rochas extrusivas ou vulcânicas (exemplos: riólitos, andesitos e basaltos). Se, inversamente, se der no interior da Terra, origina as rochas magmáticas, intrusivas ou plutónicas (exemplos: granitos, peridofitos e gabros).

Rocha Metamórficas:

Resultam da recristalização de rochas pré-existentes por alterações que podem ser químicas, mineralógicas ou texturais (exemplos: mármores, quartzitos, gnaisse). Estas transformações são provocadas no interior da crosta pela ação de elevadas temperaturas e pressões. As transformações podem abranger uma maior área, sendo designadas por metamorfismo regional. É o caso de quando ocorrem variações de pressão e de temperatura associadas à formação ou destruição das cadeias orogénicas (montanhas). O metamorfismo de contacto desenvolve-se mais localmente em torno de corpos magmáticos (5) e resulta de processos de recristalização induzidos por estas rochas.

Rochas Sedimentares:

Formam-se na, ou próximo da superfície da Terra, pela acumulação e litificação de sedimentos ou pela precipitação de minerais a partir da ação dos diferentes agentes erosivos. De acordo com a sua origem, consideram-se três tipos de rochas sedimentares:

-Detríticas, formadas por fragmentos meteorizados de rochas pré-existentes (exemplos: conglomerados, siltitos, arenitos e argilitos).

-Químicas, que resultam da precipitação de materiais dissolvidos a partir de soluções (exemplos: sal-gema, gipsitos, liditos, alguns tipos de calcários e de dolomitos).

-Biogénicas, formadas por restos de organismos ou de minerais cuja precipitação se deveu a seres vivos (exemplos: petróleo, carvão, diatomitos, alguns chertes, alguns dolomitos e alguns calcários ).

O Lioz de Montelavar/Pero Pinheiro é, em parte, biogénico, mas também calciclástico e detrítico, o que quer dizer que nem todas as rochas se conseguem inserir na classificação simplificada que apresentamos.

Como considera o investigador Rui Dias: “O Ciclo das Rochas facilita a compreensão de muitos fenómenos geológicos, mas cria limites estanques entre processos e tipos de rochas que não têm significado na natureza. Como acontece com quase todas as classificações dos processos naturais, verifica-se que em muitas situações não é fácil incluir uma rocha nas rígidas classificações anteriores, pois frequentemente esta apresenta características de mais do que um grupo”. (6)

O estudo das rochas (petrologia) é fundamental para se entender a história da Terra, sendo que o inverso é igualmente verdadeiro, ou seja, sem se conhecer a história geológica da Terra não é possível compreender as rochas e as suas variedades.

  • (1) Gnaisse é uma rocha metamórfica de grão médio a grosso, formada pela transformação de outras rochas, sob altas temperaturas e pressões.O Complexo Gnáissico de Acasta, um grupo de rochas expostas ao longo de um rio no noroeste do Canadá, tem vindo a ser aceite como a formação geológica mais antiga do planeta. Estas rochas estão datadas em 4,03 bilhões de anos, no período de transição entre o período Éon Hadeano e o capítulo seguinte na história da Terra: o Arqueano. Existem rochas mais antigas, mas não são originárias do nosso planeta, pois alguns meteoritos têm 4,5 biliões de anos, sendo contemporâneos da formação da própria Terra.
  • (2) A tectónica de placas é a teoria científica, desenvolvida pelo geólogo alemão Alfred Wegener, que apresenta a estrutura da superfície terrestre como um conjunto de placas rígidas que se movem ao longo do tempo geológico sobre a astenosfera, a camada superior e plástica do manto terrestre. Essas placas interagem entre si, causando sismos, vulcanismo, formação de montanhas e outras ações geológicas.
  • (3) A diagénese para a Geologia é o conjunto de processos físicos, químicos e biológicos que alteram os sedimentos após a sua deposição, conduzindo à sua transformação em vários tipos de rochas sedimentares. Esses processos ocorrem a baixa temperatura e pressão,
  • (4) Dias, Rui; Portugal de antes da História, Vol. I, Ed. Universidade de Évora, pág. 219
  • (5) Massas de rocha ígnea que se formam a partir do resfriamento e solidificação do magma, por exemplo Batólitos.
  • (6) Dias, Rui; Portugal de antes da História, Vol. I, Ed. Universidade de Évora, pág. 222