A ligação entre o Homem e a Pedra remonta há dois milhões e meio de anos, quando os nossos antepassados criaram o primeiro instrumento, o seixo quebrado. A importância desta criação é tal que é considerada o marco que assinala o aparecimento da humanidade, distinguindo-nos dos animais, pois só o ser humano é capaz de fabricar os seus instrumentos. Como tal o criador deste instrumento, o Homo Habilis, é o primeiro hominídeo a ser designado por “homem”. Assim, foi com o uso da pedra que surgiu a humanidade, na época mais remota do período que os historiadores designam por Pré-História ou Idade da Pedra.

Seixo Quebrado
Os primeiros instrumentos eram produzidos com seixos de rio, ou outras pedras difíceis de afeiçoar. Mais tarde, já com o Homo Sapiens, passou a haver um maior cuidado na seleção dos minerais, usando-se preferencialmente quartzitos, como o sílex e a obsidiana, que permitiam uma mais fácil lascagem e a obtenção de instrumentos mais afiados, penetrantes e eficazes. Refira-se que terão sido estes minerais o primeiro objeto de trocas, pois foram frequentemente encontrados a consideráveis distâncias das regiões onde eram extraídos.

Machado de Silex
Com o aparecimento da agricultura, há 12.000 anos, surgiram novos instrumentos de pedra, entre outros, machados, foices e mós. Estes passaram a ser polidos por fricção em areia, tornando-se assim mais penetrantes e resistentes.
Aproximadamente há 6000 anos, os instrumentos de pedra e de madeira (pois também esta foi certamente utilizada desde os tempos mais remotos) começaram a ser substituídos por instrumentos feitos de minérios metálicos fundidos, primeiramente pelo cobre, depois pela liga metálica bronze(cobre e estanho) e, mais tarde, cerca de 1500 a.C., pelo ferro.
Mas a rocha não foi utilizada apenas para instrumentos. Desde os tempos mais remotos que o Homem se recolheu no seio da rocha, escolhendo as cavernas para se proteger dos rigores do clima, dos seus predadores e inimigos humanos.

A rocha como refúgio
Com a agricultura e a sedentarização, o Homem, agora agrupado em comunidades mais amplas, as primeiras aldeias, começou a construir as suas próprias habitações com pedra, ou outros minerais, como o barro. Para defender as comunidades, construíram-se amuralhamentos com blocos de rocha, mais ou menos afeiçoados.

Povoado Neolítico
Ainda na Pré-História, há cerca de 6000 anos, surgiram, sobretudo na orla atlântica da Europa, edificações gigantescas empregando grandes blocos de pedra, mais ou menos trabalhados, os megálitos.

Transportando a tampa ou chapéu de uma Anta
As antas, os menires, os alinhamentos e os cromeleques, evidenciam a grande engenhosidade e criatividade dos homens do Neolítico que à força humana já acrescentavam meios mecânicos simples (alavancas e outros) para cortar, mover e posicionar grandes blocos de rocha, geralmente graníticos. Em Portugal, subsistem centenas destas edificações que, pontuando a nossa paisagem, nos relembram, pelo seu carácter religioso e tumular, o carácter profundamente espiritual dos homens de então.

Cromeleque de Stonehenge (Cornualha/Inglaterra)
Por volta de 3500 a.C., com o aparecimento da escrita e das cidades, e, consequentemente, das civilizações, a pedra começou a ser utilizada em novos edifícios monumentais, como túmulos e templos.
As mais notáveis estruturas pétreas foram as pirâmides egípcias. A primeira terá sido a pirâmide em degraus de Sakara (datada de 2700 a.C.), construída para túmulo do faraó Joser, por Imotep, considerado o mais antigo arquiteto da história. Século e meio depois, o faraó Quéops mandará erguer a maior pirâmide do conjunto da planície de Gizé. Construída com grandes blocos de arenito amarelo, revestido originalmente por fino calcário branco, é a única das “sete maravilhas do mundo antigo” que ainda subsiste. Durante milhares de anos, com os seus 137 metros de altura, a pirâmide foi o mais alto edifício do mundo, e ainda hoje é, provavelmente, aquele em que foi usada a maior quantidade de rocha. Construída por mais de 100 mil trabalhadores forçados ao longo de 27 anos, implicou o uso de novas técnicas de extração e locomoção da pedra, como cunhas humedecidas de madeira, trenós, alavancas gigantes e meios hidráulicos.

A Grande Pirâmide de Gizé
Cerca de três mil anos depois, na América Central, Maias e Astecas, contruirão também as suas pirâmides; que, embora semelhantes em termos estruturais, diferiam das egípcias por se tratarem de templos e não de estruturas tumulares.
As pirâmides, como quase todos os monumentos antigos, foram edificadas com rochas locais. A Grécia e a Itália beneficiaram da presença de grandes jazidas de calcário e deste metamorfoseado em mármore, e as civilizações clássicas irão empregá-los em magníficos templos em honra dos seus deuses, ou em estádios e teatros que testemunham a sua preocupação com a cultura do corpo e do espírito.
Entre todas as obras arquitetónicas da Antiguidade Clássica, destaque-se, pela sua beleza e estado de conservação, o Pártenon de Atenas, edificado no século V a.C., em mármore do vizinho Monte Pentélico.

Pártenon-Atenas
As mais belas obras escultóricas clássicas foram também, quase sempre, obtidas pelo trabalho do mármore.
Com os romanos a pedra irá ser usada, juntamente com o tijolo e diversas variedades de cimento, na construção de grandes projetos de engenharia, tais como pontes, aquedutos e estradas, muitos dos quais chegaram aos nossos dias.
Na Idade Média, surgiram novas edificações em que se recorreu a rochas diversificadas. Os castelos foram muitas vezes construídos em granito, uma rocha difícil de trabalhar, mas de grande resistência e durabilidade. Já nas catedrais, expoente máximo da arquitetura medieval, recorreu-se quase sempre a variedades de calcário que, dada a sua brandura, era uma pedra mais fácil de trabalhar, permitindo, por exemplo, os belos rendilhados da arquitetura gótica.

Catedral de Colónia- Alemanha
Com a Idade Moderna e os estilos renascentista e barroco, voltou a preferência pelo mármore e as novas igrejas e palácios foram construídas ou revestidas por essa bela rocha.
Quanto aos métodos de extração e trabalho da pedra, estes pouco evoluíram desde a antiguidade até ao século XIX. Durante milhares de anos o trabalho da pedra dependeu primordialmente da força humana apoiada por meios mecânicos simples (alavancas, roldanas, cordas e contrapesos, entre outros), tendo sido com a Revolução Industrial que surgiram meios de corte e locomoção da rocha acionados pela força dos motores vapor e, posteriormente, a combustão. Quanto à utilização de materiais explosivos nas pedreiras, esta só se generalizará com a invenção da dinamite na segunda metade do séc. XIX.

Umas pedreiras modernas
Com a contemporaneidade, o ferro foi introduzido na arquitetura e a pedra deixou o seu papel estrutural para ser apenas um dos muitos materiais construtivos, juntando-se ao cimento, ao tijolo, ao vidro e a outros materiais compósitos, quase todos também de origem mineral.
De qualquer forma, a pedra é ainda hoje um dos mais valorizados materiais de construção, reservada para as zonas nobres das casas, como as molduras das janelas e das portas, ou para aquelas em que se exige maior durabilidade e resistência.
A utilização da pedra foi uma constante em todas as épocas, tendo todas as civilizações beneficiado da regular distribuição de recursos minerais pelo planeta, ele mesmo uma gigantesca e bela estrutura mineral orbitando em torno do Sol.
